sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Pequeno Príncipe de minha vida

Faz horas que devo ao blog um pouquinho de atenção, mas eram tantas coisas ao mesmo tempo que faltava tempo para chegar até aqui. Talvez nem fosse o tempo que faltasse, mas a dedicação e sentimento necessário para me encontrar aqui.
Depois fiquei negando, achando clichê e porque não dizer um pouquinho brega o que eu realmente queria dizer. Mas agora é o momento certo.
Desde que me conheço por gente eu queria ser jornalista. Escrever, mudar o mundo e desvendar mistérios. Quando criança adorava essas coisas e pelas estradas tortuosas da vida me desviei do rumo, peguei bifurcações que me afastaram e foi custoso voltar ao ponto inicial. Mas eu sempre acreditei que na vida tudo tem um sentido e que, mesmo que leve um tempo, a gente sempre chega nos mesmos lugares porque está escrito no destino.
Eu cheguei. Mas tiveram inúmeras pessoas que me fizeram chegar lá. Amigos, familiares, professores e mestres. Pessoas pra quem dediquei e agradeci cada passo que dei no percurso.
Como acredito que nada é ao acaso no meio do caminho conheci a personagem mais importante desse trajeto. Se para ele eu sou a Miss Marple de Agatha Cristie para mim ele é a personificação do Pequeno Príncipe de Saint Exupéry. Se parar pra pensar até semelhanças físicas os dois tem. Loirinhos, com olhares de criança, que não se intimidam diante dos sentimentos e transparecem o que sentem. Correndo atrás de seus objetivos, que são simples, diretos, humildes e que ensinam lições gigantes a todos que cruzam pelo seu planeta  ou pelos planetas que eles visitam. Planetas que tem donos diferentes, que tem aspectos diferentes, mas que ele por seu olhar singular sabe admirar e evidenciar tudo de melhor.
O Pequeno Príncipe de minha história lembra de mim em uma balada, logo que chegou a cidade, me descreveu como a simpática que ficou dando dicas da cidade. Eu lembro dele, antes de nossos caminhos se cruzarem, quando em um trabalho de faculdade, recebi um trecho da dissertação de mestrado para ler.
Quando na bifurcação da vida nos encontramos me identifiquei fácil com sua trajetória,  na primeira aula em que se apresentou e fez questão de apontar seus erros e seus defeitos, e como um sábio, um pai ou irmão mais velho, dizia subjetivamente para a gente não seguir aquele caminho que percursos melhores existiam.
Eu era nova, recém chegada, uma estranha em turmas que já tinham seus grupos fechados e que tinham limitações para aceitar estranhos. E eu não era mais uma menina. Ele também, mesmo dentro de seu grupo sendo considerado um menino.
Não foi naquele dia, mas foi nesse momento que decidi ou que ele decidiu que seria meu orientador. E o que se seguiu depois foi obra do destino. 
Poucas pessoas tem o dom de encantar outras e ele tem. Poucas pessoas são capazes, de conduzir outras e ele é. Poucos são os generosos que doam seu tempo, suas horas de sono, de lazer e de vida para os outros. Ele faz isso. Ele compra as brigas por nós, nos defende, puxa as orelhas e ensina. Não se contenta em passar conteúdos, ele quer passar vida. Divide agonias, nos acalma nas horas certas e nos deixa na adrenalina quando é disso que precisamos.
Engraçado que ele falava para mim de como eu me doava para os outros, como eu sempre estava disposta a ajudar e ajudava, de como eu era capaz de ser uma executiva e enquanto ele falava tudo isso eu pensava "e você?". Você é tudo isso também.
Um humor peculiar, que causa estranheza num primeiro momento e que depois diverte. Uma pessoa humilde, ingênua, decidida, metódica, perfeccionista e amiga. Nossa e como é capaz de ser amigo. De estender a mão, de olhar para frente e enxergar o que as vezes mais ninguém vê. Um leitor de almas. 
Foi uma grande honra ter dividido com você esse meu ano. Um ano tumultuado com tantas coisas, um ano sofrido, angustiante e decisivo. O ano em que me tornei a jornalista que queria ser desde criança. Você me conduziu pelo caminho, me ensinou cada passo, aguentou minhas indecisões, minhas dúvidas e até as TPM's e ainda assim sorriu para mim. Você se tornou um amigo, um amigo que com certeza, mesmo que os quilômetros separem  estará sempre num cantinho muito especial do meu bau de memórias, porque além da honra de ser sua orientanda tive a honra de conviver com você. Com você e com a Cris que são pessoas incríveis.
E para terminar quero dizer que se eu tenho a veia jornalística como um dom você tem a docência. São poucas as pessoas que passam pela vida acadêmica das outras e que conseguem deixar para sempre gravadas o seu nome, não como mais um professor, mas como como um verdadeiro mestre. Você é o mestre, você é o cara e todo o seu tesão por ensinar passa pelo seu olhar na sala de aula. E todos aqueles que passam pelas suas aulas e são capazes de perceber isso se apaixonam e percebem a diferença entre ser professor e ser mestre. Você muda e transforma, com todas as dificuldades e resistências daqueles que tem medo e te enxergam como um inimigo, as salas de aula e a maneira como deve ser conduzida a faculdade. O teu sucesso nessa importante missão na vida é o nosso sucesso. E se existe alguém que duvide dele é porque não tem a capacidade de viver feliz com a conquista dos outros.
Você, Marco Antônio Bonito, é o pequeno príncipe da minha história, que de pequeno não tem nada, porque és grande como poucos conseguem ser.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Chega uma hora na vida da gente

Chega uma hora na vida da gente que não se acredita mais em milagres. Nem em contos de fadas. Muito menos em pessoas. Se perde a fé por completo e acaba-se ficando rude, descrente e pessimista.


Chega um momento na vida da gente que não se acredita mais no amor. Nem em relacionamentos. Muito menos em alma gêmea. Se perde a auto estima por completo e acaba-se ficando racional, triste e amargo.


Chega um dia na vida da gente que não se acredita mais em palavras. Nem em frases de efeito. Muito menos em pensamentos. Se perde a sensibilidade por completo e acaba-se ficando frio, insensível e vazio.


Chega um segundo na vida da gente que não se acredita mais em nada. Em absolutamente nada e perdemos todas as chances de seguir em frente.


Mas chega uma hora em que o milagre acontece. Uma momento em que o amor acontece. Um dia em que as palavras sensibilizam. Um segundo em que tudo acontece. E aí são os contos de fadas, as pessoas, os amores, os pensamentos  e as chances de seguir em frente que lhe mostram o quanto ainda temos a caminhar, a amar, a sorrir, a acreditar e principalmente a ser feliz.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A vida é feita de pessoas e sorrisos

Minha vida é feita de pessoas. Pessoas que conheci, pessoas que passaram por mim, pessoas que esperei, pessoas que amei, pessoas que um dia me fizeram feliz. São tantas pessoas e ao mesmo tempo tão poucas que guardo os sorrisos mais importantes como referências de momentos. Porque o sorriso é a forma mais sincera de cumplicidade. Há quem diga que sejam as lágrimas mas não acredito. Prefiro me lembrar da pessoa sorrindo do que chorando.


Não que os momentos de tristeza não sejam lembrados e importantes para a nossa construção. Eles servem como base para subirmos mais um degrau e aprender que toda dor um dia passa. Diferente do sorriso que eterniza os momentos felizes. Se fosse a lágrima da dor o elo da cumplicidade tiraríamos fotos chorando. Mas ao contrário disso sorrimos sempre que queremos eternizar um momento.


Guardo os sorrisos de amigos, coleciono eles como se me fossem o mais caro tesouro. E todas as vezes que, por algum motivo, sinto saudades, por um segundo, fecho os olhos e vasculho entre tantos sorrisos aquele que me fará amenizar a dor da distância. Sim, porque o sorriso é a cura para a dor, aquela que invade a alma e te abraça silenciosamente mesmo que tudo a volta se mexa. E somente um sorriso sincero e cúmplice e capaz de aliviar a pressão do peito e suspender as lágrimas da alma.


Minha vida é feita de pessoas. Pessoas e sorrisos. Amores, amigos e sorrisos. Momentos, pensamentos e sorrisos. Dias, noites e sorrisos. Todos eles guardados num baú. Como coisas antigas e preciosas. Sorrisos que valem mais que qualquer dinheiro. 



domingo, 31 de julho de 2011

Ao meu pai com amor - Carta de aniversário

Esse final de semana seria teu aniversário. Engraçado não lembro de grandes festas, almoços ou jantas de comemoração. Ao contrário da mãe que sempre foi festeira, e tudo é motivos pra comemoração, dos teus aniversários lembro apenas das latas de leite condensado que ganhavas. Para querer te deixar feliz bastava passar no super e comprar uma lata de leite moça. Tomavas no bico, como se fosse água e escondias de mim e da Duda pra gente não comer.


Sabe eu estou bem pai. Mas sinto falta tua. Me pergunto se sentirias orgulho de mim. As vezes me pego repetindo gestos teus. Vícios e manias. Talvez eu não tenha aprendido a ser organizada e caprichosa com a casa e com o meu guarda roupa como eu deveria ter aprendido contigo. Mas eu tento. Mas sei que além dos traços físicos herdei teu bom humor. Teu carisma. Sou capaz de encher uma sala e fazer amigos em qualquer circunstância como fazias. 


Para tristeza da mãe também herdei tua simplicidade e humildade. Continuo sem me maquiar para o dia a dia. Uso poucas jóias e acredito que a coisa mais importante é o que carregamos no coração. Já a tua neta vai para a escola de rímel. Para ti ver como são as coisas.


Eu me casei sabia, pai? E foi bonito. E tu fez falta para entrar comigo na Igreja. Mas o Nei representou bem o teu papel. E ficou todo bobo. O Tio Alemão estava lá. Tu com certeza irias debochar dos milicos fazendo guarda com rosas vermelhas. A festa foi incrível. Tenho certeza que serias muito amigo do meu marido. Fariam piadas infames de tudo e deixariam eu e a mãe muito bravas.


E esse ano pai a Duda faz 15 anos. Fará uma festa e vai dançar a valsa. E que pena que não poderás estar aqui para dançar com ela. Ela está tão linda.É uma aborrecente tão bagunceira. Se tu visses o quarto dela terias vários infartes consecutivos. Não ia ter controle remoto de aparelhinho que desse jeito.


Eu também vou me formar no final do ano. Cheguei ao fim da faculdade e sempre tenho certeza que fiz a escolha certa. Vou me formar em jornalismo. Exatamente como eu dizia quando tinha 15 anos e tu me destes aquela máquina de escrever super moderna. Tanta coisa mudou de lá para cá. Hoje temos a internet. E tem um jeito de mandar mensagens para as pessoas muito mais fácil e barato que torpedo. Tua te divertiria muito. 


Eu estou tentando pai Tentando ser boa mãe. Tentando ser boa esposa. Tentando ser boa filha. Tentando ser feliz. Eu sinto tua falta. E me lembro de ti sempre. Eu sei que o final foi difícil mas eu queria muito te dizer que eu te amo. Desculpa se não fiz isso em tempo. Feliz aniversário.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Apenas mais um dia cinza

As lágrimas vêm aos olhos e fica difícil de segura-las. Não entendo se são de raiva, tristeza ou decepção. Elas brotam e como pedras em um desfiladeiro rolam pelo rosto. Não existe lugar certo. Quando assim acontecesse não tem como segurar. O sol no mesmo instante se esconde e transforma o dia num tom de cinza escuro com suas nuances.


Estranho entender que as pessoas, infelizmente, são assim. Não valorizam o que de mais belo e honesto existe: a confiança. Quando alguém confia em você ela deposita segredos, amor e amizade. Ela acredita em você. Ela entrega a vida nas suas mãos e de olhos fechados atravessa uma avenida movimentada porque você diz que pode fazer.


Não sei se é tristeza, decepção ou raiva que sinto. Apenas dói e as lágrimas escorrem. Apenas sofro. De qualquer forma não errei em confiar em você. Você errou por trair a minha confiança. E também não é questão de perdão, a questão é eu poderei algum dia confiar em você novamente?


Porque dizer que perdoa é fácil. O complicado é resgatar o que se levou tanto tempo pra conquistar. O impossível é lembrar que nada do que foi feito e construído foi valorizado. Passar por cima, dar a volta e sorrir novamente depende muito se você realmente fará valer a pena. 


Enquanto isso o dia cinza permanecerá. Até as nuvens se dissiparem, as lágrimas pararem e o coração se fortalecer.